Uma pequena floricultura de bairro. Duas amigas, Camila e Débora, trabalham juntas. Camila está passando por uma noite de choro: perdeu alguém querido e está desanimada, achando que a tristeza nunca vai passar. Débora, tentando consolar, diz que é melhor esconder a dor e fingir que está tudo bem. A dona da floricultura, Dona Helena, uma mulher sábia e experiente, ouve as duas e entra na conversa.
Camila: (com os olhos marejados, segurando um vaso) Débora, eu não aguento mais. Perdi alguém que eu amava, e parece que a tristeza nunca vai passar. Eu choro de noite, choro de dia, e não vejo saída. Será que Deus ainda me ouve?
Débora: (concordando) É, Camila... eu entendo. O melhor é esconder a dor e fingir que está tudo bem. Não fica mostrando fraqueza, porque ninguém quer ver isso.
Dona Helena: (sentando-se devagar, com um regador na mão) Meninas, sentem aqui comigo. Vocês duas estão olhando para a dor do jeito errado. Deixa eu ler uma coisa para vocês. Abre o Salmo 6, Camila.
Camila: "Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor."
Dona Helena: Repara, Camila. A palavra hebraica para repreender é yakach, corrigir, disciplinar. E o detalhe precioso: o peregrino não nega a sua culpa, mas pede que a disciplina venha com misericórdia. E o pedido continua: "Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados." A dor é real, Camila, e ela não é escondida de Deus, é apresentada a ele.
Débora: Mas e a fraqueza, Dona Helena? A Camila está se sentindo fraca.
Dona Helena: Escuta o que o salmo confessa: "A minha alma também está muito perturbada; mas tu, Senhor, até quando?"
Camila: "A minha alma também está muito perturbada."
Dona Helena: E o detalhe precioso: "Volta-te, Senhor, e livra a minha alma; salva-me por causa da tua benignidade." A fraqueza não é escondida, Camila, é confessada. E o detalhe precioso: por causa da tua benignidade. Tu não pedes pelo que mereces, pedes pela benignidade de Deus.
Débora: E o choro, Dona Helena? A Camila está chorando muito.
Dona Helena: Escuta o que o salmo mostra: "Estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas."
Camila: "Toda noite faço nadar a minha cama."
Dona Helena: A palavra hebraica para gemido é anachah, suspiro, lamento. E o detalhe precioso: toda noite faço nadar a minha cama. O choro não é fraqueza, Camila, é honestidade diante de Deus. E o detalhe precioso: "Os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e envelhecem por causa de todos os meus inimigos."
Débora: (com os olhos marejados) E a virada, Dona Helena? Onde está a virada?
Dona Helena: Escuta a virada mais surpreendente do salmo: "Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade, porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto."
Camila: "O Senhor ouviu a voz do meu pranto."
Dona Helena: A palavra hebraica para ouvir é shama, escutar, atender. E o detalhe precioso: o Senhor ouviu a voz do meu pranto. O choro que sobe a Deus não volta vazio. E o detalhe precioso: "O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolherá a minha oração."
Camila: (com os olhos marejados) Então o meu choro não é em vão?
Dona Helena: Não é, Camila. A dor não é escondida de Deus, é apresentada a ele. Confessa a tua fraqueza, apresenta o teu choro, e espera. Porque o Senhor ouviu a voz do meu pranto, o Senhor ouviu a minha súplica, o Senhor acolherá a minha oração. O choro que sobe a Deus não volta vazio.
Débora: (com os olhos marejados) Eu estava errada, Dona Helena. Eu estava dizendo para esconder a dor, mas esconder a dor é carregar o peso sozinha.
Dona Helena: É isso, Débora. Esconder a dor é carregar o peso sozinha. Apresentar a dor a Deus é abrir a porta para a cura. "O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolherá a minha oração."
"O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolherá a minha oração."
Salmo 6:9
O Salmo 6 abre com a súplica do peregrino quebrantado: Senhor, não me repreendas na tua ira. O peregrino não nega a sua culpa, mas pede que a disciplina venha com misericórdia. A dor é real, e ela não é escondida de Deus, é apresentada a ele. A fraqueza não é escondida, é confessada, e o peregrino pede pela benignidade de Deus. O choro não é fraqueza, é honestidade diante de Deus: toda noite faço nadar a minha cama. E a virada é certa: o Senhor ouviu a voz do meu pranto. O choro que sobe a Deus não volta vazio. O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolherá a minha oração. Esconder a dor é carregar o peso sozinha; apresentar a dor a Deus é abrir a porta para a cura.
Autoria e comentários: Osvaldo Luiz Rivello de Carvalho. Textos bíblicos transcritos da JFAAL — João Ferreira de Almeida Atualizada Livre, de Marcos Cristiano Alves Ferreira, setembro de 2024. Licença CC BY 3.0 Brasil: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/. Trechos de outras fontes são utilizados apenas para comentário, estudo e análise, com a devida identificação.