A Espiral da Sabedoria — Estudos Bíblicos
Capítulo 1 — Salmo 1: a árvore plantada junto aos ribeiros
Uma pequena floricultura de bairro. Dois amigos, Rafael e Mateus, trabalham juntos. Rafael está desanimado, porque vê pessoas que fazem o mal prosperando enquanto ele, que tenta viver direito, passa dificuldades. Mateus, tentando consolar, diz que é melhor seguir o caminho mais fácil, já que o mal prospera. A dona da floricultura, Dona Helena, uma mulher sábia e experiente, ouve os dois e entra na conversa.
Rafael: (regando um vaso, cabisbaixo) Mateus, eu não aguento mais. Eu vejo gente que faz o mal prosperando, enquanto eu tento viver direito e passo dificuldades. Será que vale a pena? Será que Deus não vê isso?
Mateus: (concordando) É, Rafael... eu entendo. Se o mal prospera, melhor seguir o caminho mais fácil. A gente se esforça, e quem é desonesto leva vantagem.
Dona Helena: (sentando-se devagar, com um regador na mão) Meninos, sentem aqui comigo. Vocês dois estão olhando para isso do jeito errado. Deixa eu ler uma coisa para vocês. Abre o Salmo 1, Rafael.
Rafael: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores."
Dona Helena: Repara, Rafael. A palavra hebraica para bem-aventurado é esher, feliz, ditoso. E o detalhe precioso: o salmo começa com uma negação. A bem-aventurança não é sorte, é escolha: não andar, não se deter, não se assentar. Três passos que descem: andar com os ímpios, deter-se com os pecadores, assentar-se com os escarnecedores.
Mateus: Mas e a prosperidade do mal, Dona Helena? O Rafael está vendo o mal prosperar.
Dona Helena: Escuta a virada: "Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite."
Rafael: "Na sua lei medita de dia e de noite."
Dona Helena: A palavra hebraica para lei é torah, instrução, ensino. E o detalhe precioso: tem o seu prazer. O peregrino não obedece por medo, obedece por prazer. E a palavra hebraica para meditar é hagah, murmurar, ponderar. A meditação não é um ato, é um estilo de vida: de dia e de noite, a lei do Senhor é o seu alimento.
Mateus: E o resultado, Dona Helena? O que acontece com quem medita?
Dona Helena: Escuta o que o salmo descreve: "Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; e as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará."
Rafael: "Como a árvore plantada junto a ribeiros de águas."
Dona Helena: O detalhe precioso: plantada junto a ribeiros de águas. A árvore não se move, mas as raízes alcançam a água. A estabilidade não vem de não ser tocado, vem de estar enraizado na fonte. E o detalhe precioso: dá o seu fruto no seu tempo. O peregrino não apressa o fruto, confia no tempo de Deus.
Mateus: E o ímpio, Dona Helena? O que acontece com ele?
Dona Helena: Escuta o contraste: "Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha."
Rafael: "Como a moinha que o vento espalha."
Dona Helena: A palavra hebraica para moinha é mots, palha, pó leve. E o detalhe precioso: o vento espalha. O ímpio não tem raiz, e por isso é levado pelo vento. A diferença não está no que se vê, está na raiz: a árvore tem raiz na água, a moinha não tem raiz nenhuma.
Mateus: (com os olhos marejados) E o fim, Dona Helena? O que sustenta quem escolhe o caminho certo?
Dona Helena: Escuta o final: "Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; mas o caminho dos ímpios perecerá."
Rafael: "O Senhor conhece o caminho dos justos."
Dona Helena: A palavra hebraica para conhecer é yada, conhecer intimamente, com cuidado. E o detalhe precioso: o Senhor conhece o caminho dos justos. Tu não estás sozinho, Rafael: o Senhor conhece o teu caminho, caminha contigo. A bem-aventurança é escolha, e a raiz decide o destino. Não temas a prosperidade passageira do mal, porque a árvore plantada junto aos ribeiros dá o seu fruto no seu tempo.
Mateus: (com os olhos marejados) Eu estava errado, Dona Helena. Eu estava dizendo para seguir o caminho mais fácil, mas o caminho mais fácil não tem raiz.
Dona Helena: É isso, Mateus. O caminho mais fácil não tem raiz. "O Senhor conhece o caminho dos justos."
O Salmo 1 abre com a bem-aventurança que define tudo: bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios. A bem-aventurança não é sorte, é escolha: não andar, não se deter, não se assentar. O peregrino tem prazer na lei do Senhor e medita nela de dia e de noite. Ele é como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto no seu tempo. A estabilidade vem de estar enraizado na fonte. O ímpio é como a moinha que o vento espalha, porque não tem raiz. E a certeza sustenta tudo: o Senhor conhece o caminho dos justos. A bem-aventurança é escolha, e a raiz decide o destino.